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EXTRA!!! EXTRA!!! EXTRA!!!
Exposição e CD realimentam o mito em torno de Renato Russo
PEDRO ALEXANDRE SANCHES
da Folha de S.Paulo
Vai começar tudo outra vez. O culto a Renato Russo (1960-96) volta a ganhar corpo, à custa de mais um lançamento da Legião Urbana e de uma grande exposição em Brasília, terra natal da banda do artista que completaria 44 anos no próximo sábado.
O disco, sexto produto póstumo com a assinatura de Renato Russo, recupera um show da banda no Parque Antarctica, em São Paulo, na turnê do disco "As Quatro Estações" (89). Sai no final deste mês, pela gravadora EMI.
A mostra, que será aberta no próximo dia 5, faz um inventário da vida de Renato por meio de manuscritos, fotos de família, vídeos caseiros etc. Uma das curadoras é Carmem Teresa Manfredini, 41, irmã do artista. A outra é Renata Azambuja, 39, artista plástica e professora da Universidade de Brasília, que diz nortear seu trabalho numa tentativa de relativizar o mito em torno de Russo. "Minha linha é não trabalhar com o mito, eu me distancio disso."
Carmem, que gerencia o patrimônio do irmão a partir da morte do pai de ambos, neste mês, também busca o afastamento. "Já pensei muito sobre isso, nossa família nunca foi de mitificar o Renato. Fomos sempre modestos, para nós ele era só o Júnior."
Ela relembra a morte de Renato, há oito anos, em decorrência da Aids. "Eu e meus pais pensamos, juntos: 'Daqui a um ano ele vai estar esquecido'. Para nossa surpresa, o mito aumentou, duplicou. Acho que as pessoas elegem e criam seus mitos. Mas não queremos mitificá-lo na exposição."
O mito não pára de crescer, entretanto, até adquirindo contornos necrófilos em certas ocasiões. A família aprovou, por exemplo, o lançamento de "Renato Russo Presente" (2003), que acolhia material não concluído e de baixa qualidade técnica. "O próprio Renato falava que gostava de coisas meio piratas, toscas de outros artistas. Não pensamos no aspecto financeiro, mas na continuidade da obra", defende Carmem.
Ela diz, mesmo assim, que a vigilância da família é constante. "A primeira coisa que perguntei quando recebi a correspondência da EMI falando do projeto para o novo disco foi qual era o propósito. Defendi que mantivessem as falas do Renato no show, se cortassem, não teria originalidade."
Os ex-colegas de banda Dado Villa-Lobos, 39, e Marcelo Bonfá, 39, defendem o lançamento de "As Quatro Estações ao Vivo".
"É bem verdade que poderíamos não ter autorizado esse lançamento da EMI, o que não foi o caso", diz Bonfá. "Na minha opinião, todos os trabalhos da Legião Urbana que ainda não foram mostrados ao público podem e devem ser lançados, depois, é claro, que tiverem sido analisados por mim e pelo Dado." Para Villa-Lobos, "a idéia de lançamento desse disco veio da EMI e foi bem recebida como uma boa idéia, de conteúdo e valor histórico".
"Enquanto essa relação continuar assim, vamos lá. Caso contrário, eles sabem como nos comportávamos quando contrariados. Na época pichávamos as dependências da gravadora. Agora, em fase adulta, a gente chama os nossos 50 advogados", completa.
Dado, que faz questão de ressaltar que não tem nada a ver com a mostra de Brasília, não dispensa certo tom crítico em relação ao material que não passa por sua autorização. "Jamais enquanto artista e membro fundador do conjunto eu permitiria o canibalismo predatório do repertório da Legião, o que acho que não valeu para o repertório do Renato. Dois discos mais sobra viraram uns oito discos diferentes", exagera.
Mesmo que exageros e abusos assediem todos os lados da história, as curadoras da mostra tentam avançar na compreensão do mito. Diz sua irmã: "Renato sempre foi muito honesto com a mídia e consigo mesmo. Ele era gay, pansexual, era alcoólatra, dependente químico, mas declarava tudo isso, ele mesmo. E havia também toda a parte espiritual dele, de dizer 'Deus é meu guia' e tal".
Renata Azambuja adiciona outros ingredientes sedutores para o público: melancolia e culpa. "Renato era muito 'blue'. Tentou se matar, cortou os pulsos e escrevia sobre isso", afirma. "Tinha uma culpa, que acho que era cristã."
Renata evidencia o que pode ser um dos destaques da mostra, o material manuscrito em que o Renato Russo adolescente sonhava-planejava sua futura banda.
"Ele listava todas as supostas turnês do grupo, fazia a árvore genealógica das formações, criava notícias de jornal do tipo 'por que Jeff Beck saiu da banda'."
Renato Russo já sabia do mito, muito antes de ele existir?
Exposição no CCBB de Brasília homenageia Renato Russo
da Folha Online
O Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília vai sediar uma exposição sobre o cantor Renato Russo entre os dias 5 de abril e 23 de maio, mostrando as influências, as preferências, o processo de trabalho e a relação entre vida e obra do líder do Legião Urbana morto em 1996.
A exposição "Renato Russo Manfredini Júnior", que ocupará dois pisos da Galeria 1 do CCBB, terá exposição de fotografias, desenhos, manuscritos, figurinos, recortes de jornais e revistas, instrumentos musicais e registros de shows em vídeo.
Um dos objetivos da mostra é destacar a relação do ídolo do rock nacional com Brasília, onde ele viveu parte da adolescência e fase adulta e onde começou sua carreira artística.
No subsolo da galeria poderão ser vistos também a coleção de livros, discos e postais de Renato, com um espaço para a audição dos CDs que pertenciam ao cantor, das gravações de áudio e imagens caseiras, além de um vídeo realizado especialmente para a mostra.
A programação também contará com eventos musicais. Na abertura da exposição, a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro vai prestar uma homenagem ao músico no Teatro do CCBB. Além disso, estão previstos três encontros reunindo ex-companheiros e jovens músicos que foram influenciados por Renato Russo --ainda sem data definida.
Renato Russo Manfredini Júnior
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília (Clubes Esportivos Sul, trecho 2, lote 22, Brasília)
Quando: de 5 de abril a 23 de maio
Informações: 0/xx/61/310-7087
Vou ser honesto... sempre fico feliz por novos trabalhos lançados da Legião e do Rentao, mas o lançamento da gravação de um show me deixou um pouco frustrado... mas mesmo assim, não deixa de ser interessante, pois é ao vivo... e isso significa que ouviremos Renato Russo brincando com a platéia e dizendo suas frases de protestos... um fato triste é que nunca consegui ir a um show ... é uma das coisas que nunca vou conseguir fazer... isso me faz gostar dos cd´s de gravações de shows... esse show particularmente ... fiz de tudo para ir, mas ... não consegui... vou comprar o cd... vou ouvir com prazer como sempre... vou prestar atenção nos detalhes desse show que quase eu fui... pois é ... fã é assim...rs... na verdade eu queria novidades... assim como no cd do ano passado, mas sou paciente... tenho certeza que as novidades virão.... Gente isso só foi uma pausa, mas amanhã mesmo continuarei postando coisas do cd "Presente"... Um grande abraço e fico grato de coração pela visita e carinho de todos
Escrito por Flávio às 01h03
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